segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Nome próprio.

Ninguém vive a paixão impunemente. A intensidade é uma doença contagiosa.
                        E eu não concebo a vida sem contágios.




 Sei sobre a dor, a falta de ar e a perda de chão.
Sei que nada mais vai ter importância.
Sei que o mundo vai ficar pequeno
e perder o sentido.



 Não sei se é a ausência de pernas ou de mim. Não sei se é a ausência de chão. Eu sei que é um amolecimento das formas, um derramar das coisas. Um desmaio. Um suspiro sem corpo. Um bicho. É ser um bicho ou um vento tanto quanto pessoa na tempestade. Ou um ser. Um ser nada e vazio.
Eu estou vazia. Meu apartamento está vazio. São Paulo está vazia. Eu estou morrendo de amor. Eu queria te dar minha última lágrima, mas eu estou seca. Eu não consigo nem chorar.







Algumas vezes quebram minhas pernas. Chutam minha cara. Pisam nos meus dedos. Eu sobrevivo. Tenho sobrevivido.
Sou marcada, sim, mas faço valer cada uma das minhas cicatrizes.

Um comentário:

  1. Que delícia passear por este texto, pelas figuras, pelas palavras... Quem me dera ter mais tempo pra continuar te lendo. Um beijo grande da Jujuba.

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