Nasci num dia de chuva certamente. Sim, minha mãe me contou e meu pai também me contava. Eram 10 horas da manhã, foi cesariana, fui a última. Depois de cinco irmãos era a quinta menina que nascia, que leva o nome da avó,que as pessoas dizem ser tão chata como ela. Não sei se era virginiana, mas era professora. Ensinou meu pai e seus irmãos a ler e a fazer contas desde pequenos. Não tenho muitas lembranças dela, só lembro de alguns banhos numa bacia enorme que tinha na casa dela, com a água morna que ela esquentava no fogão à lenha. Meu avô tinha um pé de melancia no quintal e ele sempre me falava que se eu engolisse a semente ia nascer um pé de melancia na minha barriga. E eu acreditava, e imaginava as melancias crescendo dentro de mim. E era grande aquele quintal, parecia um sítio. E também havia um sítio bem bonito tinha cavalos e eu tinha medo deles, chorava sempre que via. E naquele quintal de seriguelas, umbus e tamarindos eu construí parte da minha infância.
Tenho saudades. Das cachoeiras, dos rios onde eu me banhava enquanto minha mãe lavava roupa, rios que hoje já devem estar secos.
Mas o que não foge a minha memória é o cheiro do café, que saía a qualquer hora do dia, moído na hora. Sentados todos à mesa tomando um café com o bolo de fubá da vó na sua mesa de madeira. E sim, são essas memórias que me fazem perceber que o tempo passa, não volta, e que se deve amar às pessoas como se o amanhã não existisse, e que se deve viver cada momento intensamente e verdadeiramente. Pois tudo depois se tornará uma lembrança, momentos que a memória vai resgatar.
27/09/10
27/09/10
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