Hoje
me resolvi. Permiti-me alguns luxos. Algumas alegrias. Sim, aquela risada
engasgada no fundo da ideia quando tudo está desabando. O caos sobre nossas
cabeças e um sorriso contido pela merda que foi esfregada na cara.
Hoje
eu quero a alegria que se contêm nas faces de um velório. Do sorriso diante do
soco bem dado na cara do desespero. De ser humana em momentos não
privilegiados. Quando era criança, e disso ainda me lembro bem, desatava a rir
depois de uma surra bem levada, depois que as lágrimas já secaram, o que me
levava a apanhar e a sorrir cada vez mais. Pois era proibido rir. Era proibido
sorrir.
Quem
inventou que não se pode sorrir diante do desespero, do sofrimento e em meio a
crises gerais? Nunca soube.
Hoje
eu escolhi meu sentimento e quem manda nele sou eu. Chega dessa ideia de que
sofrer é bonito, é poético e o caralho A4. Nem conseqüência nem nada. Não quero
depressão. Nem pós, nem durante, nem depois. Se vier será esfregada como soco
na parede chapiscada da vergonha. A dor é merda. É ferida. Não mexa. Só aponte
e dê risada do que, certamente, irá flutuar.
Se
isso é loucura, não sei. A gente escolhe ser louco? Também não sei. Resolvi
acordar de bem comigo mesma. Só isso.
Não
é filosofia barata, não é auto-ajuda. Sou eu cansada de me sentir vítima. Quero
ter o controle, confiar e perder. E se tudo der errado ofereço a outra face com
um sorriso amarelo de ponta a ponta.
Não
é armadura nem máscara. É só eu tomando conta de mim.
Mais
uma vez.
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