sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Hoje


Hoje me resolvi. Permiti-me alguns luxos. Algumas alegrias. Sim, aquela risada engasgada no fundo da ideia quando tudo está desabando. O caos sobre nossas cabeças e um sorriso contido pela merda que foi esfregada na cara.
Hoje eu quero a alegria que se contêm nas faces de um velório. Do sorriso diante do soco bem dado na cara do desespero. De ser humana em momentos não privilegiados. Quando era criança, e disso ainda me lembro bem, desatava a rir depois de uma surra bem levada, depois que as lágrimas já secaram, o que me levava a apanhar e a sorrir cada vez mais. Pois era proibido rir. Era proibido sorrir.
Quem inventou que não se pode sorrir diante do desespero, do sofrimento e em meio a crises gerais? Nunca soube.
Hoje eu escolhi meu sentimento e quem manda nele sou eu. Chega dessa ideia de que sofrer é bonito, é poético e o caralho A4. Nem conseqüência nem nada. Não quero depressão. Nem pós, nem durante, nem depois. Se vier será esfregada como soco na parede chapiscada da vergonha. A dor é merda. É ferida. Não mexa. Só aponte e dê risada do que, certamente, irá flutuar.
Se isso é loucura, não sei. A gente escolhe ser louco? Também não sei. Resolvi acordar de bem comigo mesma. Só isso.
Não é filosofia barata, não é auto-ajuda. Sou eu cansada de me sentir vítima. Quero ter o controle, confiar e perder. E se tudo der errado ofereço a outra face com um sorriso amarelo de ponta a ponta.
Não é armadura nem máscara. É só eu tomando conta de mim.
Mais uma vez.

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