sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Hoje²


Hoje eu decidi ficar em casa ao invés de encarar o problema. Ao invés de encarar a cena onde não soube atuar. Sim, um erro: entreguei-me e me deixei levar. Sim, hoje eu tentei fugir dos meus problemas, mas eles me acompanharam até em casa e não me deixaram dormir.
Nunca fui todo esse poço de calmaria e passividade que você vê. O meu inferno é por dentro e eu não quero, nunca quis machucar ninguém. Não quero meus pedaços sobre a cabeça de ninguém.
Estou muito longe, eu sei, de ser uma vítima, e o alvo está longe de deixar de ser tratado como especial. O que eu falo não faz tanto sentido quanto a vergonha que senti e a solução está longe de ser uma prioridade.
Um misto de todas as sensações mais humilhantes ardeu do meu coração até a face, que caminhei até a porta e finalmente pude tirar o nariz de palhaço. Arrancar a máscara e ser quem eu realmente sou.
Sim, apenas da porta pra fora, pois por dentro sou uma máquina quebrada, mal valorizada e onde a manutenção costuma ser pouca diante de tanto uso. Diante de tanto desgaste.
Do saldo só tenho a vergonha que atingiu minha face, deu voltas no corpo todo e se alojou no coração. De onde nunca mais sairá com risco de eu deixar de ser humana.
Procurei soluções na minha biblioteca vasta de normas e esperanças. A poesia, que estava na caixa de primeiros socorros eu quis queimar, jogar na parede. Mas, como sempre, os pedaços dos quais me explodo sou obrigada a recolher todos e juntar. Fazer-me nova e retalhada para um novo dia.
Só que hoje não.
Imagino o dia em que deixarei meus pedaços grudados na parede e talvez na face de alguém, entre porta retratos e finalmente poderei sair tranqüila atravessando as portas e batendo sapatos de algodão.

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