Hoje
eu decidi ficar em casa ao invés de encarar o problema. Ao invés de encarar a
cena onde não soube atuar. Sim, um erro: entreguei-me e me deixei levar. Sim,
hoje eu tentei fugir dos meus problemas, mas eles me acompanharam até em casa e
não me deixaram dormir.
Nunca
fui todo esse poço de calmaria e passividade que você vê. O meu inferno é por
dentro e eu não quero, nunca quis machucar ninguém. Não quero meus pedaços
sobre a cabeça de ninguém.
Estou
muito longe, eu sei, de ser uma vítima, e o alvo está longe de deixar de ser
tratado como especial. O que eu falo não faz tanto sentido quanto a vergonha
que senti e a solução está longe de ser uma prioridade.
Um
misto de todas as sensações mais humilhantes ardeu do meu coração até a face,
que caminhei até a porta e finalmente pude tirar o nariz de palhaço. Arrancar a
máscara e ser quem eu realmente sou.
Sim,
apenas da porta pra fora, pois por dentro sou uma máquina quebrada, mal
valorizada e onde a manutenção costuma ser pouca diante de tanto uso. Diante de
tanto desgaste.
Do
saldo só tenho a vergonha que atingiu minha face, deu voltas no corpo todo e se
alojou no coração. De onde nunca mais sairá com risco de eu deixar de ser
humana.
Procurei
soluções na minha biblioteca vasta de normas e esperanças. A poesia, que estava
na caixa de primeiros socorros eu quis queimar, jogar na parede. Mas, como
sempre, os pedaços dos quais me explodo sou obrigada a recolher todos e juntar.
Fazer-me nova e retalhada para um novo dia.
Só
que hoje não.
Imagino
o dia em que deixarei meus pedaços grudados na parede e talvez na face de
alguém, entre porta retratos e finalmente poderei sair tranqüila atravessando
as portas e batendo sapatos de algodão.
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