Nada encontro nos olhares que querem tirar algo de mim. Que querem me usufruir de alguma forma como objeto. Nada encontro nesses carros que passam ora distraídos, ora apressados. Cada qual com suas vidas e existências. Em cada banco o cinto de segurança apressado estanca em cada sinaleiro.
Daqui é mais fácil observar cada pressa.
As luzes e setas diante do imenso concreto e eu diante do imenso cigarro que nunca acaba.
As luzes e setas diante do imenso concreto e eu diante do imenso cigarro que nunca acaba.
Não coloco interjeições. Nada é surpresa. Quero só colocar em palavras soltas. Quero só escrever, transcrever, interpretar. Eu só quero o sol tocando meu rosto como se eu houvesse dormido muito bem. Eu só quero as pessoas me dizendo bom dia como se o ontem houvesse acabado. Eu quero fingir. Eu quero usar a máscara.
Eu quero ser quem as pessoas querem que eu seja. Só hoje. Eu quero satisfazê-las, cumprimentá-las. Quero o papel que cabe a mim em plena segunda expediente. Ver ao meu modo sendo eu mesma quando não possível.
E quem consegue? Quem sabe o que é? Apenas continua sendo.
O que eu quiser: ninguém sabe.
Não procure a melhor máscara, deixe o público colocar por você.
Ele sempre faz isso. Em todo lugar.
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