quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Ela.

Ela sabe de tudo. Ela sabe de todos. Ela sabe como enganar, como iludir, como te deixar com aquela cara de poker face, e se não souber o que é isso ela provavelmente vai te explicar. Ela não sabe de nada. Ela tem cara, mas quem não tem. Ela usa máscaras, mas quem não usa. E quando deixa cair ninguém percebe. É sempre a mesma. Ela com as suas máscaras tirando uma após outra feito bonequinhas russas. Ela não é russa muito menos boneca. Tamanho não tem. Deve ter coração, mas eu ainda não cheguei lá. É sempre ela. Quem? Quem é ela? Nem ela sabe. Nem eu sei. Só estou escrevendo porque é confuso. É tão complicado e é tão impossível que você deixa pra lá. Esquece larga e some. Como aquele seu fone de ouvido que está guardado numa gaveta todo enrolado e você simplesmente desiste de desenrolar porque a vontade de ouvir música já passou. Quando você desenrola um dos lados não funciona. A raiva não deixa. Não deixa usar, não deixa ver, não deixa se envolver muito menos se interessar por uma coisa tão absurda. Ela não é misteriosa, se faz, mas não é. Pode ser pra mim, eu que não entendi ainda. Ela não é nada que se faz com que ela seja ela não é nem esse texto maluco que estou escrevendo, ela não é muito menos quem está o digitando. Não. Não sou eu. É ela. E você sabe quem é. Provavelmente. Porque ela te conhece também, e se você diz que faz qualquer coisa maluca da vida ela adora, ela curte demais. Mas não se preocupe. Coisa inofensiva é quem não sabe quem é. Andarilho pelo carpete com suas sandálias azuis e amarelas e nem se importa com o lixo da rua que deixa pelo caminho. É assim que são. É assim que é. Há pessoas que lambem esse chão. Há pessoas que vomitam nele. Como entender? Tem gente que gosta. Tem gente que curte. Tem gente que adora. Tem gente que odeia. Onde entra o eu ou ela nesse meio tempo do tem gente? Eu não odeio. Ela não permite ser odiada, ou amada, ou adorada, pois as pessoas só sentem isso por ela porque a personificam. Tá, então, narradora descritiva estranha e confusa: de quem ou do quê estás falando? Personifiquei esse ela até agora pela incapacidade de entender. Até um Ela eu dei pra parecer que é gente, se parece muito. Porque posso ser eu e posso ser ela e assim fica mais fácil de entender. Gosto de complicar. Não suporto a idéia de que alguém me entenda. Mas quero? Talvez. Não cheguei a lugar algum. Nem ela chegará. Mas pode ser. Olha,  se parece muito. Fala a voz da verdade. Não. Não é de verdade. Não sei nem se é. Devaneios, baby. Sou assim.

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