terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Sem sono, sem cigarros, sem internet e sem rivotril.

Não necessariamente nesta ordem e sim ao mesmo tempo. Uma injustiça do acaso misturada a minha preguiça de não ter provido ao menos uma das coisas anteriormente. A preguiça às vezes acaba comigo, toma várias horas do meu dia e quando eu vejo já não há mais tempo de consertar tudo pra ter uma noite agradável. Uma noite digna. Das insônias da vida eu não reclamo tanto, mas essa foi a pior de todas, ao menos esse ano. Numa tarde estava eu a retirar o último cigarro do maço e a pensar, preciso comprar mais. Deito e pego no sono, acordo e já são mais de dez horas da noite, o banco está fechado. Corro para uma loja de conveniência mais próxima onde tem um caixa eletrônico e descubro que ele foi retirado de lá. Volto pra casa e penso se estivesse na casa da minha mãe poderia pedir pra ela ou para o irmão, ou decerto teria um pacote de fumo junto da palha ao lado do cinzeiro em cima da mesa que poderia saciar minha abstinência pela noite. Mas não. E achei também um pouco tarde em um domingo pra uma visita desesperada atrás de nicotina. Então, pensei. É só por uma noite. Mal sabia eu o que aquela interminável noite de insônia me provocaria. Sem cigarro já imaginei que demoraria um pouco para dormir. Mas a mente prega peças. Confesso que se o maço estivesse cheio eu dormiria sem tanto sacrifício. Mas o fato de não ter me fez andar pela casa toda feito uma louca viciada, procurando um cigarro ou metade, ou pior, um pedaço mínimo que fosse de qualquer coisa que me fizesse acalmar essa louca necessidade.
A busca não deu muito certo, e lá pelas tantas que nem eram tantas deitei. Pronto. Cadê o sono? Poderia ter ido buscar cigarro, mas não tem nada aberto e tanto eu como ele estamos sem dinheiro para tanto. Daí vem o detalhe sórdido da noite. Porque toda noite de insônia tem um detalhe sórdido e olha, eu tive o meu. Espasmos. Aleatoriamente como soluços que te irritam, mas soluços melhoram com água ou com qualquer outra receita que a sua avó ensinou. No meu caso, era lá, Ian Curtis tentando dormir, com abstinência a flor da pele. Não, eu não podia cantar ouvir música, ler, porque qualquer uma das coisas acima faria barulho ou acordaria alguém do meu lado que é sensível a lâmpadas florescentes. A esta altura liguei o PC, enfim, vamos lá, quem está acordado a essas horas? E pasmem!O título já lhe deu a dica, mas o meu TIM não funcionou e me deixou na mão mais uma madrugada infame. Ok. Vamos ver o que dá pra fazer aqui nesse pczinho de merda, porque tudo agora era de merda, a minha irritação chegava a tal ponto extremo que nem a quantidade de merda, sim, de merda que tenho no PC foi capaz de me distrair por algumas horas. Eu quero um cigarro! Eu quero um cigarro! Eu quero um cigarro! Eu só preciso da porra de um cigarro! Assim a voz repetia e martelava na minha cabeça. Tudo martelava e nessa de martelar eu me lembrei do relógio. Não, não olhe pra ele querida, não se estresse além da conta. Você vai surtar. Você vai surtar. Eu vou surtar. Olhei no despertador que não era pra mim – sim, poderia ficar pior se eu tivesse que ir trabalhar, mas no fim das contas isso não importava mais, o que mais importava eu não tinha e não ter era o que importa – e eram 2,35 da manhã. Não sei se nessa trágica experiência eu lhes contei o não mais importante, mas crucial acontecimento que terminou a fazer da minha noite de insônia o inferninho da viciada. Sim, vou lhes contar. O horário de verão que tanto odeio havia terminado, e foram acrescentados sessenta minutos ao dia. Ai você me pergunta: que diferença faz? Daí eu retruco histérica, porque a estas alturas e horários é uma histeria imaginária, portanto não usarei o caps look, agora sim: Que diferença faz? Uma hora a mais não faz diferença. Não faz diferença na sua baladinha que pode ir até mais tarde, o som alto ligado na noite de sábado, chegar atrasado na segunda pro trabalho, se bem que a minha desculpa poderia ter sido outra, mas meu querido, numa noite de insônia, sem cigarro, com espasmos musculares, sem rivotril e sem internet faz toda a diferença. As horas passam mais lentas. Cheguei até a pensar antes em esperar o banco abrir, as seis, alguns cigarros soltos no bar mais próximo, mas os bares não abrem de segunda feira putaqueopariu, e o relógio corre lento com seu tique-taque torturante e é mais torturante ainda ver o mundo todo silencioso e imerso nos estágios de sono mais profundos, em outras dimensões e você ali cultivando a matéria de ser um viciado em nicotina, com problemas de insônia e outros mais sem poder muito menos conseguir pregar os olhos por poucos segundos. Uma cochilada que fosse não faria mal. Acho que é castigo. Ando muito magra e preciso engordar. Então não durmo bem, pois uma boa noite de sono emagrece. É o que dizem alguns cientistas barrigudinhos. Abro a geladeira e janto mais umas três vezes comida gelada, pois não posso fazer barulho. Como tudo o que é possível comer. A garrafa de café está cheia e o conteúdo está quente ainda, mas nem me atrevo, pois é capaz dessa vez o café fazer realmente efeito, pois hoje eu estou com muita sorte das coisas darem muito certo. Bebo muito leite com colheradas gigantes de Nescau e encontro dentro do armário uma lata de leite ninho que levo pro quarto com uma colher pra tentar ser um pouquinho feliz.

Nenhum comentário:

Postar um comentário