Eu não gosto do mês de agosto. E sinto ódio dessas datas e faltas que você faz que fico com raiva de mim por escrever tanto sobre você. Eu não quero esquecer. Não quero me conformar. É uma dor que eu gosto de sentir. Sua filha. Sua falta. Eu sou ainda aquela criança que beijou sua tez gelada pela última vez. Que desfez suas mãos cruzadas com tanto custo para sentir a sua mão tocando a minha uma vez mais, ainda que fria e sem vida. Eu sou o luto eterno. A dor que não cessa. O tempo que não cura. Eu não aceito a sua falta de forma alguma. Assim como não aceitei suas últimas palavras de que sua missão estava cumprida. Não estava. E você sabe que não estava. Você me deixou pela metade. A outra que eu construí para me adaptar ao mundo é feita de gesso, e dói. Como o gesso da sapatilha. Dói ao dançar, mas alivia a alma. Sentir a dor da sua falta alivia a própria ausência. Que não cessa.
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