Ela escuta. Desacredita. Lê e dá risadas. Claro. Sempre foi assim. Esse eterno rir das próprias burradas e piadas que agora são escritas com todos os dedos. Esse eterno debochar de qualquer espelho. Debochar da própria imagem. Imagem. E foi divagando sobre ela, sobre a imagem, que tudo se despedaçou sem haver existido. As palavras se transformaram em roupas e todos vestiram o que melhor lhe couberam. Palavras quentes, leves, suaves e as que machucam a pele enquanto caminha com elas. Pessoas gostam de sofrer e eu nunca soube o porquê. Tomam certas palavras para si, calçam e ficam altas enquanto seus dedos ardem. Isso quando insistem em calçar um número de palavras que não lhe cabe e não lhe diz respeito. Estes são os que sofrem mais. Se adaptam e se apertam até caberem certinho e sofrem a noite toda com essa insistência. Com a insistência em ser o que não é. Em usar o que não lhe pertence. Em não se encaixar nesse mundo vasto cheio de idéias e entrelinhas.
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