Café e cigarro. Não, cigarro não. Fumo. Solta um mundaréu de fumaça pelo quarto, e que sua mãe sempre odeia. Esse café, tão forte e suave, a qualquer momento do dia, daquele jeito simples que todo baiano gosta. Você está lá. E em todos os lugares. Eu sinto. Às vezes eu até vejo, mas finjo que não vi só para me fazer de boba, mas no fundo eu sei. Sempre soube. Quando acreditei? Aceitei? Ainda não sei. E espero que ainda demore. Não, não quero agora. Guarde esta certeza que eu bebo da sua água outro dia. Não me prenda tanto ao chão assim, eu posso nunca mais voar. Sinto-me bem onde estou e no quê eu acredito que nunca me senti assim em toda minha vida. Você sabe que eu falo assim, mas eu tenho certeza de que não caminhei nem a metade do caminho. O pedaço que você me dava a mão não conta. Porque eu só conto daí pra frente, onde eu não me sentia segura, e que não éramos nós. Fui dançando, correndo, de bicicleta até que um dia não precisei de mais nada. Ou quase nada. Eu sei. Eu sei. Não vem com esse papo de Freud explica. Eu já cansei de ouvir isso de você. No fundo eu sei que o que apenas sobra são só retalhos, retratos, escritos, seus livros. E o cheiro na memória. Porque eu lembro que cheguei em casa e seu cheiro não estava mais na sua cama. Então eu encho a casa de fumo e café. Fecho os olhos e me agarro em sua memória.
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