quarta-feira, 11 de julho de 2012

A pena.


Enquanto eu percebo as imperfeições que seus dedos não apontam e que sua escrita não sabe filtrar me lembro que foi até de certo modo engraçado que, olhando para minhas mãos, percebi que até elas se parecem com você. Lembrei de cenas da minha infância, das mais pacíficas às mais brutais e reparei que também puxei um pouco do seu sangue taurino, seu caráter e sua paciência, e que se não fosse você na minha vida jamais poderia imaginar que uma pessoa pudesse ser tudo isso e ser uma só. Até que me dei por gente e... 

Olha só, eu tentando cortar partes de mim. Eu tentando ser esta ou aquela enquanto sou tantas. E sou verdadeira sendo cada uma eu mesma. 

Mas quem mandou ser tão detalhista?

E isso de início não tinha nada a ver com você, mas fui procurando respostas, fui pacientemente me questionando e me acalmando, embora alguns espaços nem tão calculados da parede tenham o formato das minhas mãos fechadas. Tenho andado quieta e pensando demais, e isso nunca foi bom. Duas horas se passam com o livro nas mãos e não passo da página cento e trinta. Não é a cadência do livro, não é sono, não é preguiça. Pode ser eu querendo iniciar algo só pra ter a obrigação de terminar. O que também poderia ser outra coisa.

De um lado minha serenidade e meus pensamentos que voam como pipas, seguindo uma linha de raciocínio surreal, mas que sempre me traz de volta mais segura ou confusa. De outro, objetos quebrados, poemas rabiscados e um rock malfeito em uma tarde de outubro qualquer.

Lembro de uma vez que elogiaram essa expressão que tenho quando estou em lugar, mas ao mesmo tempo não. Posso ficar o tempo que quiser nessa posição, estando e não estando só por estar. A graça de tudo é que eu acabo me entregando completamente, estando lá ou aqui. A graça é que demorei tanto pra virar uma página insignificante só porque a mesma me fez entender uma infinidade de coisas importantes, que só não escrevo agora porque não vale a pena.

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